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ANP: multas de R$ 700 milhões e 10 distribuidoras no Cade; e a bomba?

ANP leva 11 processos contra 10 distribuidoras ao Cade e soma mais de R$ 700 milhões em multas por margem abusiva. Veja o que muda no preço do combustível.

Força-tarefa da ANP, Procon e Inmetro fiscaliza posto de combustível em Brasília
Força-tarefa da ANP, Procon e Inmetro fiscaliza posto de combustível em Brasília. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil / Agência Brasil · CC BY 3.0 BR

A ANP, a agência que fiscaliza o mercado de combustíveis, já somou mais de R$ 700 milhões em multas contra distribuidoras que aumentaram a margem sem justificativa em 2026 e, nesta terça-feira (3), informou que mandou 11 processos contra 10 distribuidoras para o Cade, o órgão que investiga cartel e abuso de poder de mercado. Para quem abastece, a notícia não baixa o preço amanhã, mas mostra quem está de olho no repasse e onde reclamar quando o litro sobe sem motivo.

O que a ANP anunciou?

Segundo o comunicado da agência, noticiado pela Reuters no Terra e pelo Portal Tela, três pontos se destacam:

  • Multas acima de R$ 700 milhões em primeira instância administrativa, ou seja, decisões da própria ANP que ainda admitem recurso dentro da agência.
  • As distribuidoras condenadas respondem por mais de 45% de todo o combustível movimentado no país em 2026.
  • Em alguns casos, a diferença entre o custo de compra e o preço de venda subiu até 4.000% sem justificativa.

A ANP não divulgou o nome das empresas. E deixou claro que enviar os processos ao Cade não significa que ela concluiu que houve infração à concorrência: essa avaliação é do Cade.

O valor de R$ 700 milhões é novo?

Não. O total já tinha sido divulgado em setembro. Primeiro, a ANP anunciou multas acima de R$ 200 milhões em 23/9. Dois dias depois, a Agência Brasil informou que o valor passou de R$ 700 milhões, em dez processos contra nove distribuidoras.

O que mudou agora é o próximo passo: o caso sai da esfera de multa e vai para o órgão de defesa da concorrência.

O que significa uma margem subir 4.000%?

É o número que mais assusta, e o que mais confunde. A margem é a diferença entre quanto a distribuidora pagou pelo combustível e quanto cobrou do posto. Se ela era de poucos centavos e passou a dezenas de centavos, o aumento percentual fica enorme, mesmo que o litro no posto tenha subido bem menos.

Ou seja: 4.000% na margem não é 4.000% no preço da bomba. Mas é exatamente esse tipo de salto, sem custo que o explique, que a ANP passou a tratar como abusivo.

Por que a ANP não multa mais?

As investigações foram feitas com base em duas medidas provisórias editadas a partir de março, a MP 1.340/2026 e a MP 1.349/2026, quando a disparada do petróleo pressionou os combustíveis. Com o fim da validade das MPs, a ANP perdeu o poder de multar especificamente por preço abusivo.

Os casos que ainda estão em análise, depois de uma triagem das notas fiscais, seguem para a Senacon (a secretaria do consumidor do Ministério da Justiça) e para os Procons estaduais e municipais.

Quanto a ANP fiscalizou?

De 9 de março a 23 de outubro, segundo os números divulgados com o balanço, foram 6.519 agentes fiscalizados em todos os estados, 1.403 autos de infração e 237 interdições cautelares. Desses autos, 22 foram especificamente por preço abusivo, 16 deles contra distribuidoras.

O que muda para você?

Na prática, nada muda no preço de amanhã. Multa não devolve dinheiro a quem abasteceu, e as empresas ainda podem recorrer. O que muda é o recado para o mercado: aumento sem justificativa agora vira processo, e pode chegar ao Cade, que tem poder de aplicar punições pesadas por conduta anticoncorrencial.

O que você pode fazer:

  1. Compare antes de encher. Em uma mesma cidade, a diferença entre postos costuma pagar o desvio de alguns quarteirões.
  2. Guarde a nota fiscal e anote data, preço e posto. É o que dá força à reclamação.
  3. Denuncie pela central da ANP (0800 970 0267), pelo Fala.br, pelo app ANP com VC – Postos ou no Procon, que agora cuida dos casos de preço abusivo.
  4. Fique de olho no calendário de impostos: o corte de R$ 0,89 por litro na gasolina vence em 9 de novembro, como explicamos em 7 dúvidas sobre o fim do desconto. Veja também as cinco datas que mexem no combustível em novembro.

E agora, o que acontece?

O Cade vai analisar os 11 processos sem prazo definido para concluir. As distribuidoras seguem podendo recorrer das multas na ANP. Enquanto isso, a briga sobre a metodologia continua: desde as primeiras multas, em abril, empresas e postos contestam a forma de cálculo, alegando que a agência comparou notas de períodos diferentes e não considerou custos como o frete.

Vamos acompanhar a decisão do Cade e atualizar esta matéria se os nomes das distribuidoras vierem a público.

Galeria de fotos

Fila de carros em posto de combustível em Brasília
Fila de carros em posto de combustível em Brasília. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil / Agência Brasil · CC BY 3.0 BR
Bicos coloridos de bombas de combustível em um posto
Bicos coloridos de bombas de combustível em um posto. Foto: Engin Akyurt / Pexels · Licença Pexels (uso livre)
Bombas de um posto de combustível no Brasil
Bombas de um posto de combustível no Brasil. Foto: Cau Aliperti / Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0
Motorista abastecendo o próprio carro em um posto em dia de sol
Motorista abastecendo o próprio carro em um posto em dia de sol. Foto: Andrea Piacquadio / Pexels · Licença Pexels (uso livre)

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Perguntas frequentes

Quais distribuidoras foram multadas pela ANP?

A ANP não divulgou os nomes. Informou só que as distribuidoras condenadas em primeira instância somam mais de 45% do volume de combustível vendido no país em 2026 e que elas podem recorrer na própria agência.

Como denunciar preço abusivo de gasolina no posto?

Pela central da ANP (0800 970 0267), pela plataforma Fala.br ou pelo aplicativo ANP com VC – Postos. Também dá para registrar reclamação no Procon do seu estado ou cidade, que agora recebe os casos que a ANP não pode mais multar.

Fontes

  1. ANP — ANP aplica mais de R$ 200 milhões em multas a distribuidoras de combustíveis por aumento abusivo de preços (23/09/2026)
  2. Agência Brasil — Multas por aumento abusivo de combustíveis passam de R$ 700 milhões (25/09/2026)
  3. Terra/Reuters — ANP multa distribuidoras de combustíveis em mais de R$ 700 mi por elevação abusiva de preços (03/11/2026)
  4. Portal Tela — ANP multa distribuidoras de combustíveis em mais de R$ 700 mi (03/11/2026)
  5. Auto Papo — ANP multa distribuidoras de combustíveis em mais de R$ 700 milhões por preços abusivos (04/11/2026)

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