Move Brasil financia 65,8 mil carros, um terço da meta: como pedir
Move Brasil já financiou 65,8 mil carros para motoristas de app e taxistas, um terço da meta. Veja juros de até 12,6% ao ano, regras e como pedir.

O Move Brasil, programa federal que financia carro novo para motorista de aplicativo e taxista, chegou a 65,8 mil veículos financiados até 26 de outubro, cerca de um terço dos 200 mil previstos pelo governo, segundo dados do BNDES publicados pelo jornal O Tempo. Para quem trabalha rodando, a notícia tem dois lados: ainda há muito dinheiro disponível, mas a aprovação no banco é o funil que está travando a fila.
O que os números mostram?
O balanço mais recente do programa, lançado em maio, mostra que a procura existe, mas o crédito anda devagar:
| Indicador | Número |
|---|---|
| Carros financiados (até 26/10) | 65,8 mil |
| Meta citada pelo BNDES em maio | 200 mil veículos |
| Crédito contratado | R$ 6,9 bilhões |
| Dinheiro disponível | R$ 30 bilhões |
| Fatia usada | cerca de 23% |
| Contratos da linha de motos | 21.790 (R$ 474 milhões) |
Em agosto, apenas 11,3% do valor tinha sido liberado. Entre os motivos apontados na época estavam a demora na aprovação dos empréstimos, a baixa participação dos bancos privados e a comunicação fraca com os trabalhadores.
O governo vê o copo meio cheio. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) afirma que o volume financiado é mais de três vezes o que esse público compraria no ritmo normal em quatro meses. A Fenabrave, entidade das concessionárias, estima esse ritmo em cerca de 4.400 carros por mês.
Por que tanta gente fica de fora?
O ponto que mais pega é este: ser aprovado no cadastro do governo não é o mesmo que ter o crédito aprovado. O programa funciona de forma indireta. O BNDES põe o dinheiro, mas quem empresta e assume o risco é o banco do motorista. Por isso, quem está com o nome negativado ou não consegue comprovar renda tende a ser barrado na análise.
Outro motivo é a conta do dia a dia. Muitos motoristas preferem continuar alugando, porque a locadora cobre manutenção, seguro e troca do carro. Um levantamento da GigU citado pelo jornal aponta que 74,6% dos motoristas de app usam carro próprio (quitado ou financiado) e 25,4% rodam com carro alugado.
O Banco do Brasil é o maior participante, com mais de R$ 3 bilhões em operações e mais de 28 mil clientes. Segundo o banco, cerca de 54% do que ele financia para taxistas e motoristas de app nessa linha vai para carros elétricos.
Quais são as regras do Move Brasil?
As condições oficiais estão na página do programa no BNDES:
- Quem pode: taxistas registrados e ativos, cooperativas de táxi e motoristas de aplicativo com cadastro ativo há pelo menos 6 meses e no mínimo 100 corridas nesse período, na mesma plataforma.
- Carro: novo, de até R$ 200 mil, que esteja na lista de veículos financiáveis do MDIC (inclui elétricos, híbridos, flex e a etanol).
- Prazo: até 84 meses, com carência de até 6 meses (nesse período você paga só os juros).
- Juros: custo final de até 11,5% ao ano para mulheres e até 12,6% ao ano para os demais.
- Entrada: o programa não exige, mas o banco pode pedir.
Em setembro, a lei que tornou o programa permanente foi sancionada, segundo a Agência Brasil. Ou seja, não há data para acabar, e o crédito vai sendo liberado conforme a procura.
O que muda para você?
Se você roda por aplicativo ou é taxista, o recado é que ainda dá tempo e ainda há dinheiro: mais de três quartos dos R$ 30 bilhões não foram usados. O passo a passo é este:
- Cadastro no gov.br: faça o cadastro no Move Brasil (táxi e aplicativos). A resposta sobre a aptidão chega em até 10 dias pela caixa postal do gov.br.
- Escolha do carro: procure uma concessionária com carro da lista e diga que quer financiar pelo Programa BNDES Move Motoristas. Você também pode ir direto ao seu banco.
- Análise de crédito: o banco olha seu histórico e sua capacidade de pagar. É aqui que muita gente para.
- Validação: aprovado, o banco envia o pedido ao BNDES, que valida de forma automática.
Antes de assinar, faça a conta inteira. Some parcela, seguro (carro de trabalho costuma ter seguro mais caro), IPVA, revisões e pneus, e compare com o que você paga hoje de aluguel. Se o carro novo trouxer economia de combustível, coloque isso na conta também. Para ver como juros e prazo mexem no valor final, veja a nossa simulação de carro à vista ou financiado. E para comparar o preço de um modelo novo com o de um usado parecido, consulte a Tabela FIPE.
Vale a pena em relação ao financiamento comum?
Depende do seu perfil. Os juros do Move Brasil ficam abaixo do que muitos bancos cobram no crédito de veículo comum, que, como mostramos, bateu recorde em setembro. Mas um dos motoristas ouvidos pelo jornal, com o nome negativado, disse que nem tentou, por achar as condições parecidas com as do mercado. Para quem tem nome limpo e renda comprovada pelo app, a vantagem tende a ser maior. Para quem não tem, a barreira é a análise do banco, não a taxa.
O que ainda não se sabe?
O governo não divulgou uma nova meta nem prazo para chegar aos 200 mil carros. A página do BNDES também não informa a lista completa de bancos na própria página (ela fica em um PDF do banco). Vamos acompanhar os próximos balanços do programa.
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Perguntas frequentes
Quem pode financiar carro pelo Move Brasil?
Taxistas ativos, cooperativas de táxi e motoristas de aplicativo com pelo menos 6 meses de cadastro ativo e 100 corridas nesse período na mesma plataforma. Ser considerado apto não garante o crédito: o banco ainda faz a análise.
Qual é o juro do Move Brasil?
Segundo o BNDES, o custo final é de até 12,6% ao ano para homens e de até 11,5% ao ano para mulheres, em até 84 meses e com até 6 meses de carência.
Fontes
- O Tempo — Move Brasil financia 65,8 mil carros até agora (28/10/2026)
- BNDES — Programa BNDES Move Motoristas (regras oficiais)
- Agência Brasil — Programa que dá crédito a motoristas de app se torna permanente
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