Carro à vista ou financiado: quando compensa? Simulação de R$ 100 mil
Carro à vista ou financiado? Simulamos R$ 100 mil com 60% em 48x a 26,42% ao ano contra o dinheiro rendendo com a Selic a 13,75%. Veja quando cada um ganha.

Para quem tem o dinheiro, comprar o carro à vista ainda ganha do financiamento na maioria dos casos, porque o juro médio cobrado pelos bancos, de 26,42% ao ano, é mais que o dobro do que a mesma quantia renderia aplicada com a Selic a 13,75%. Financiar só compensa quando a taxa fica abaixo de cerca de 0,92% ao mês, como em promoções de taxa zero ou muito baixa, e mesmo assim vale comparar com o desconto que a loja dá para quem paga de uma vez.
A pergunta ficou mais urgente nesta semana, com a disparada dos juros futuros depois da eleição, que tende a encarecer as propostas novas, como mostramos em financiamento de carro: juros futuros sobem 2,5 pontos. Abaixo, a nossa simulação passo a passo.
Quais números entram na conta?
São dois, e os dois saem de fontes abertas:
- Juro do financiamento: a taxa média para pessoa física foi de 26,42% ao ano em agosto de 2026, cerca de 1,97% ao mês, segundo a série do Banco Central (SGS 20749) compilada pelo Simulauto.
- Quanto o dinheiro renderia parado: a Selic, a taxa básica de juros, está em 13,75% ao ano, de acordo com o InfoMoney. O CDI, que é a referência da maioria das aplicações de renda fixa, anda colado na Selic.
Como fizemos a simulação?
O exemplo é um carro de R$ 100 mil. São duas escolhas:
- À vista: paga R$ 100 mil e pronto.
- Financiado: dá R$ 40 mil de entrada, financia R$ 60 mil em 48 parcelas pela tabela Price (parcelas iguais) a 1,97% ao mês e deixa os outros R$ 60 mil aplicados. Todo mês, tira da aplicação o valor da parcela.
As hipóteses, para ficar claro o que é conta e o que é dado:
- A aplicação rende 100% do CDI, que consideramos igual à Selic de 13,75%, fixa pelos 4 anos. Na vida real, a Selic muda, e ninguém garante esse rendimento.
- Descontamos 15% de imposto de renda sobre o rendimento, a alíquota para aplicações de renda fixa acima de 720 dias, segundo o Portal Tributário. Resgates com menos tempo pagam mais (até 22,5%), então a conta real tende a ser um pouco pior para quem aplica.
- Com isso, o rendimento líquido fica em cerca de 0,92% ao mês, ou 11,6% ao ano.
- A parcela não inclui IOF, seguro e tarifas, que veremos adiante e só pioram o lado do financiamento.
Quem ganha: à vista ou financiado?
| Financiamento de R$ 60 mil em 48x | Juro ao mês | Parcela | Total pago | Sobra (ou falta) na aplicação no fim |
|---|---|---|---|---|
| Taxa média de agosto | 1,97% | R$ 1.945,33 | R$ 93.375,72 | falta R$ 23.646 |
| Taxa de banco mais barata | 1,49% | R$ 1.758,74 | R$ 84.419,51 | falta R$ 12.457 |
| Promoção de montadora | 0,99% | R$ 1.576,50 | R$ 75.671,87 | falta R$ 1.528 |
| Taxa zero | 0% | R$ 1.250,00 | R$ 60.000,00 | sobra R$ 18.051 |
As três primeiras taxas da tabela, fora a média, são exemplos para mostrar o efeito, não ofertas reais.
Como ler: com a taxa média, os R$ 60 mil aplicados acabam antes do contrato, e o comprador precisa tirar R$ 23,6 mil do bolso para pagar as últimas parcelas. Esse é o tamanho da vantagem de quem pagou à vista. Só de juros, o financiamento custa R$ 33.376 nesse exemplo.
Quando o financiamento compensa?
A regra de bolso é uma só: financiar compensa quando o juro mensal é menor que o rendimento líquido da sua aplicação. Na nossa conta, o empate acontece com juro de cerca de 0,92% ao mês. Acima disso, à vista ganha. Abaixo, o financiamento ganha.
Na prática, isso só aparece em três situações:
- Taxa zero ou quase zero de montadora, como as campanhas que mostramos no desconto do Hyundai Creta com taxa zero. Costumam exigir entrada alta e prazo curto.
- Quando não há reserva de emergência. Gastar todo o dinheiro no carro e ficar sem colchão pode sair mais caro no primeiro imprevisto, se for preciso pegar empréstimo pessoal ou entrar no cheque especial.
- Quando o dinheiro já está numa aplicação que rende mais que o juro do financiamento, o que é raro com taxas de 1,5% a 2% ao mês.
E o desconto à vista?
Ele pesa muito. Na taxa zero, o preço do carro costuma ser o de tabela, sem desconto. Se a loja dá desconto para quem paga à vista, esse dinheiro também fica com você e rende.
Exemplo: R$ 5 mil de desconto aplicados pelos mesmos 4 anos viram cerca de R$ 7.750 na nossa conta. Então, numa taxa zero que sobra R$ 18 mil, o desconto à vista teria de passar de uns R$ 11,6 mil para empatar. Em promoção de 0,99% ao mês, qualquer desconto à vista já decide a favor de pagar de uma vez. Antes de negociar, confira o preço justo do modelo na Tabela FIPE.
O que é CET e IOF, e por que mudam a conta?
CET é o custo efetivo total. Ele junta os juros, o IOF, a tarifa de cadastro, o seguro prestamista (que quita a dívida em caso de morte ou invalidez) e o registro do contrato, explica a Serasa. O banco é obrigado a informar o CET antes da assinatura. É ele, e não a taxa de juros anunciada, que você compara entre propostas.
IOF é o imposto sobre operações financeiras. No financiamento de pessoa física, ele é de 0,38% fixo mais 0,0082% ao dia, cerca de 3% ao ano, segundo a Serasa. As alíquotas podem mudar por decreto, então confira na proposta. Na nossa conta aproximada, o IOF de R$ 60 mil em 48 meses fica perto de R$ 1.890. Quase sempre ele é embutido no valor financiado, e aí você ainda paga juros sobre o imposto.
O que muda para você?
Na prática, antes de decidir:
- Pergunte o preço à vista e o preço financiado. Se forem diferentes, a diferença é parte do custo do financiamento.
- Peça o CET por escrito em pelo menos três lugares: dois bancos e a financeira da montadora.
- Compare o CET mensal com o rendimento líquido da sua aplicação. Hoje, com a Selic a 13,75%, a régua fica perto de 0,92% ao mês para quem aplica a 100% do CDI.
- Guarde uma reserva. Se pagar à vista zerar suas economias, pode valer dar uma entrada maior e financiar menos, em vez de tudo ou nada.
- Encurte o prazo. Quanto menos parcelas, menos juros. Em 48 meses, na taxa média, os juros somam mais da metade do valor financiado.
Os números desta simulação mudam se a Selic ou o juro dos bancos mudarem. O Copom, comitê do Banco Central que define a Selic, se reúne de novo em 4 de novembro, segundo o InfoMoney.
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Perguntas frequentes
Vale a pena financiar o carro e deixar o dinheiro rendendo?
Só quando o juro do financiamento é menor do que o rendimento líquido da aplicação. Com a Selic a 13,75%, uma aplicação que paga 100% do CDI rende perto de 11,6% ao ano depois do IR de 15%. A taxa média do financiamento de veículos foi de 26,42% ao ano em agosto, mais que o dobro.
O que é CET no financiamento?
É o custo efetivo total: junta juros, IOF, tarifa de cadastro, seguro prestamista e registro do contrato. É o número certo para comparar propostas, porque a taxa de juros sozinha esconde parte do custo.
Quanto é o IOF do financiamento de carro?
Para pessoa física, 0,38% fixo sobre o valor financiado mais 0,0082% por dia, o que dá cerca de 3% ao ano. Em R$ 60 mil financiados em 48 meses, nossa conta aproximada dá cerca de R$ 1.890.
Fontes
- InfoMoney — Tesouro Direto: abertura e fechamento de 26/10/2026 (Selic a 13,75%)
- Simulauto — Histórico da taxa de financiamento de veículos (Banco Central, série SGS 20749)
- Serasa — IOF no financiamento de carro: como funciona
- Serasa — CET: o que é o Custo Efetivo Total
- Portal Tributário — Imposto de renda na fonte sobre aplicações de renda fixa
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