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Financiamento de carro: juros futuros sobem 2,5 pontos e a parcela pode subir

Os juros futuros saltaram de 12,6% para 15,2% ao ano após a eleição. Veja como isso chega ao financiamento de carro, a simulação da parcela e o que fazer.

Vendedor entrega a chave a uma cliente sentada em um carro novo
Vendedor entrega a chave a uma cliente sentada em um carro novo. Foto: Antoni Shkraba / Pexels · Licença Pexels (uso livre)

Os juros futuros, que servem de base para empréstimos de prazo longo, saltaram mais de 2,5 pontos percentuais em um dia nesta segunda-feira (26), primeiro pregão depois da eleição. Para quem vai financiar um carro, isso pode significar parcela mais cara nas próximas semanas, mas quem já tem contrato assinado não paga nada a mais.

O que aconteceu com os juros?

A taxa do contrato de DI (a referência de juros entre bancos) com vencimento em janeiro de 2031 foi de 12,64% para 15,19% ao ano entre sexta e segunda. O de janeiro de 2028, mais curto, subiu de 12,86% para 14,80%, segundo o Blocktrends.

Taxa Sexta (23) Segunda (26)
DI janeiro/2028 12,86% 14,80%
DI janeiro/2031 12,64% 15,19%
Tesouro Prefixado 2029 12,76% 15,26%

O Tesouro Nacional chegou a cancelar os leilões de títulos prefixados da semana e recomprou papéis para conter a alta, informou o InfoMoney. O movimento veio junto com o dólar a R$ 5,40, a maior alta diária desde 1999. Explicamos o efeito do câmbio no preço do carro nesta matéria.

Por que isso chega ao financiamento de carro?

Pense no banco como uma loja que compra dinheiro para revender. Para emprestar a você por 48 ou 60 meses, ele precisa captar esse dinheiro no mercado, e o custo dessa captação acompanha os juros futuros. Se a "matéria-prima" encarece, o preço final, que é a sua taxa, tende a subir.

Esse repasse não é imediato nem igual em todos os bancos. Ele depende da concorrência, do perfil do cliente, do valor da entrada e de promoções de taxa das próprias montadoras.

Quanto está o juro hoje?

Em agosto de 2026, a taxa média do financiamento de veículos para pessoa física foi de 26,42% ao ano, cerca de 1,97% ao mês, segundo a série do Banco Central compilada pelo Simulauto. É uma média: há propostas bem abaixo disso com entrada alta e bem acima para quem tem nome com restrição.

Quanto muda na parcela?

Fizemos uma simulação simples para mostrar o tamanho do efeito. Ela considera R$ 80 mil financiados em 48 parcelas, pela tabela Price, sem IOF, seguro e tarifas, que encarecem o valor real.

Juro anual Juro mensal Parcela Total pago
26,42% (média de agosto) 1,97% R$ 2.593,77 R$ 124.500,96
28,42% (+2 pontos) 2,11% R$ 2.664,91 R$ 127.915,45
30,42% (+4 pontos) 2,24% R$ 2.736,01 R$ 131.328,54

Ou seja: cada 2 pontos a mais no juro anual somam cerca de R$ 71 por mês e mais de R$ 3.400 no fim do contrato, neste exemplo. Esses cenários são ilustrativos: ninguém sabe ainda quanto os bancos vão repassar.

E a Selic?

A Selic, taxa básica de juros, está em 13,75% ao ano. A próxima reunião do Copom, o comitê do Banco Central que decide a taxa, é em 4 de novembro. Até sexta, o mercado apostava quase com certeza em um corte de 0,25 ponto. Na segunda, a curva de juros passou a indicar Selic parada, com risco de alta, segundo o Blocktrends.

O Boletim Focus divulgado na segunda, com projeções feitas antes do resultado da eleição, previa Selic de 13,25% no fim de 2026, de acordo com a Forbes Brasil. A próxima edição deve mostrar se essa expectativa mudou.

O que muda para você?

Na prática:

  1. Já tem financiamento? Fique tranquilo. A taxa do seu contrato é fixa e a parcela não muda.
  2. Tem proposta aprovada? Veja a validade dela. Se o carro e o preço estão certos, fechar dentro do prazo garante a taxa de hoje.
  3. Vai começar a pesquisar agora? Peça simulação em pelo menos três bancos e na financeira da montadora. Compare o CET, o custo efetivo total, que inclui juros, IOF, seguro e tarifas, e não só a taxa.
  4. Dê mais entrada, se puder. Quanto menor o valor financiado e o prazo, menor o efeito de qualquer alta no juro.
  5. Considere um usado bem escolhido. Um carro mais barato reduz o valor financiado. Antes de fechar, confira o preço na Tabela FIPE e os sinais de quilometragem adulterada.

O que acompanhar?

Os próximos dias vão dizer se a alta dos juros futuros foi um susto de um dia ou um novo patamar. Os sinais são o comportamento do dólar, a próxima edição do Boletim Focus e a decisão do Copom em 4 de novembro. Atualizamos esta matéria se os bancos anunciarem mudanças nas taxas de financiamento de veículos.

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Duas mãos trocando a chave de um carro, momento final da compra do usado
Duas mãos trocando a chave de um carro, momento final da compra do usado. Foto: yahdi yasya / Unsplash · Unsplash License
Moeda em cima de uma pilha de dinheiro (imagem ilustrativa)
Moeda em cima de uma pilha de dinheiro (imagem ilustrativa). Foto: Daniel Dan / Unsplash · Licença Unsplash (uso livre)
Chaves de carro sobre a mesa
Chaves de carro sobre a mesa. Foto: chen chin (ducktail964) / Wikimedia Commons · CC BY 2.0
Chave de um Fiat
Chave de um Fiat. Foto: Trollercoaster42 / Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0
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Perguntas frequentes

O juro do financiamento de carro já subiu?

Não há um reajuste único e oficial: cada banco define sua taxa. O que subiu na segunda (26) foram os juros futuros, que servem de base para o crédito de prazo longo. A tendência é que as novas propostas fiquem mais caras se essa alta se mantiver.

Quem já tem financiamento vai pagar mais?

Não. O financiamento de veículo no Brasil costuma ter taxa prefixada: a parcela combinada no contrato não muda. A alta só afeta contratos novos.

Qual a taxa média do financiamento de veículos?

Em agosto de 2026, a taxa média para pessoa física foi de 26,42% ao ano, cerca de 1,97% ao mês, segundo a série do Banco Central compilada pelo Simulauto.

Fontes

  1. Blocktrends — Taxas dos DIs disparam mais de 250 pontos-base após a eleição (26/10/2026)
  2. InfoMoney — Taxas do Tesouro fecham em forte alta após a eleição (26/10/2026)
  3. Simulauto — Histórico da taxa de financiamento de veículos (dados do Banco Central, série SGS 20749)
  4. Forbes Brasil — Focus pós-eleição: projeções para Selic, inflação e dólar (26/10/2026)

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