Kit relação da moto: 5 sinais de desgaste e a hora certa de trocar
Kit relação da moto: veja 5 sinais de desgaste, como medir a folga da corrente, como limpar e lubrificar e por que trocar corrente, coroa e pinhão juntos.

O kit relação (corrente, coroa e pinhão) é a peça que leva a força do motor até a roda traseira, e os manuais da Honda mandam verificar, ajustar e lubrificar a corrente a cada 1.000 km. Para quem roda todo dia de CG, Bros, Pop ou Fazer, cuidar disso custa poucos minutos e evita o pior cenário: a corrente pular da coroa com a moto andando.
Pinhão é a engrenagem pequena, presa ao motor. Coroa é a grande, presa à roda traseira. A corrente liga as duas. Como as três trabalham engrenadas o tempo todo, elas se desgastam juntas.
De quanto em quanto tempo cuidar da corrente?
Nas tabelas de manutenção dos manuais da CG 160 Fan e Titan e da NXR 160 Bros, a orientação é a mesma: verificar, ajustar e lubrificar a cada 1.000 km. As notas da Honda pedem intervalos menores em três situações:
- uso com muita poeira, lama ou umidade;
- chuva, acelerações fortes ou frequentes;
- uso fora de estrada (no caso da Bros).
O manual da CG 160 também manda olhar o guia da corrente (a peça de plástico que evita que ela bata no chassi) a cada 6.000 km. Na Bros, o deslizador da corrente entra na lista a cada 4.000 km. E a Honda pede para checar condição e folga da corrente antes de sair com a moto, junto com pneus e freios.
Quais são os 5 sinais de que o kit relação está gasto?
Juntando o que dizem a Honda, a fabricante de kits Riffel e a fabricante de correntes D.I.D, estes são os sinais que vemos na oficina:
- Dentes da coroa finos, tortos ou em forma de gancho. Dente bom é simétrico. Dente gasto fica afinado e "deitado" para um lado.
- Folga que muda ao longo da corrente. Se um trecho está frouxo e outro esticado, alguns elos estão travados, avisa o manual da CG 125 Fan.
- Folga que não para no lugar. Você ajusta e, poucos dias depois, ela volta a ficar frouxa. Isso é corrente esticada pelo desgaste.
- Ferrugem, elos secos ou retentores faltando. Em correntes com retentor (o anel de borracha entre os elos, chamado O-ring ou X-ring), a D.I.D diz que ferrugem, rigidez ou anéis faltando pedem troca, porque podem levar à quebra.
- Barulho estranho. Ruído metálico, estalo ou "arrastado" na transmissão é sinal citado pela Riffel e pela D.I.D.
Como medir a folga da corrente?
O passo a passo está nos manuais da CG 125 Fan e da Pop 100:
- Apoie a moto no descanso lateral, com o câmbio em ponto morto e o motor desligado.
- Na parte de baixo da corrente, no meio entre coroa e pinhão, mova a corrente para cima e para baixo com a mão.
- Meça quanto ela sobe e desce com uma régua.
- Empurre a moto um pouco para a frente e repita em outros pontos. A folga tem de ser a mesma em todos.
| Modelo (manual Honda) | Folga indicada |
|---|---|
| CG 125 Fan | 10 a 20 mm |
| Pop 100 | 20 a 30 mm |
Os valores mudam de moto para moto. Por isso, o número certo para a sua CG 160, Bros ou Fazer está no manual dela, e não na tabela de outro modelo. Um dado vale para todas: a Honda alerta que, com 50 mm ou mais de folga, a corrente pode soltar da coroa ou do pinhão e danificar a moto.
Para ajustar, solta-se a porca do eixo traseiro e giram-se os esticadores dos dois lados o mesmo número de voltas, conferindo as marcas de alinhamento. Depois, a porca do eixo volta com o torque do manual: 88 N.m na CG 125 Fan e 54 N.m na Pop 100. Sem torquímetro, o certo é deixar com o mecânico. Um bom kit de ferramentas com soquetes ajuda no resto da manutenção caseira.
Como limpar e lubrificar do jeito certo?
Limpeza. A Honda orienta limpar corrente, coroa e pinhão com pano seco e solvente de limpeza não inflamável, usando escova macia se a sujeira estiver grossa. A D.I.D vai além para correntes com retentor: não use querosene, vapor, thinner, gasolina, benzina nem escova de aço, que podem deformar os anéis de borracha. A fabricante recomenda limpar a cada 500 km para evitar ferrugem.
Lubrificação. Nos manuais Honda, a indicação é lubrificante específico para corrente ou óleo de transmissão SAE 80 ou 90, sem exagero, porque o excesso junta sujeira. A Riffel recomenda o mesmo e, em dia de chuva, lubrificar ao fim do expediente.
O que não usar:
- Graxa branca: a Riffel explica que ela é grossa demais para entrar entre pino, rolete e bucha, fica só por fora e vira uma pasta abrasiva com areia, uma espécie de lixa.
- Óleo queimado de motor: o blog da Honda chama a prática de ultrapassada e indica o spray próprio, que gruda na corrente e não é jogado longe pela força da rotação.
Por que trocar o kit inteiro?
Porque uma peça gasta destrói a nova. A corrente estica com o uso e os dentes da coroa e do pinhão se moldam a esse passo maior. Colocar corrente nova numa coroa gasta faz a corrente "subir" nos dentes e se desgastar rápido. O manual da Pop 100 é direto: substitua a corrente, a coroa e o pinhão em conjunto para evitar desgaste prematuro. A Riffel dá a mesma orientação.
Dois cuidados de montagem citados pela Honda: use presilha nova sempre que remontar a emenda da corrente, e mantenha o tamanho e o tipo de corrente originais. A CG 125 Fan, por exemplo, usa corrente 428H. A D.I.D também alerta para não mudar o número de dentes da coroa e do pinhão em relação ao que o fabricante da moto determina.
Quanto dura um kit relação?
Não existe um número oficial em quilômetros. Nem a Riffel nem a D.I.D informam vida útil fixa, porque ela depende de lubrificação, chuva, poeira, peso transportado e jeito de pilotar. O critério técnico da D.I.D é o alongamento: a corrente deve ser trocada quando esticar 1% do comprimento (com retentor) ou 2% (sem retentor). Na prática de oficina, quem lubrifica a cada 1.000 km e mantém a folga certa troca o kit bem menos vezes do que quem só lembra da corrente quando ela começa a fazer barulho.
Outro ponto: o manual Honda lista corrente, coroa e pinhão como peças de desgaste natural, fora da garantia. A troca sai sempre do seu bolso.
Na prática: rotina para CG 160, Fazer, Bros e Pop
- Toda semana: olhe a corrente antes de sair. Se estiver seca ou com barro, limpe e lubrifique.
- A cada 1.000 km: meça a folga e ajuste conforme o manual do seu modelo.
- Depois da chuva ou de estrada de terra: limpe e lubrifique no mesmo dia.
- Moto de trabalho (entrega, mototáxi): encurte os intervalos, como pede a própria Honda para uso severo.
- Na troca: kit completo, peça de qualidade e emenda com presilha nova.
Na mesma visita à oficina, vale conferir os freios, já que a sapata traseira também gasta com o uso diário. Os sinais de alerta estão no nosso guia sobre pastilha e disco de freio. E para entender o tamanho do mercado de motos no país, veja a projeção da Abraciclo para 2026.
Galeria de fotos




Esta matéria foi útil para você?
Produtos citados nesta matéria
Kit de ferramentas com soquetes e catraca
Maleta compacta com soquetes, catraca e chaves para pequenos reparos e emergências no carro.
Perguntas frequentes
De quantos em quantos km lubrificar a corrente da moto?
Nos manuais da Honda para CG 160, Bros 160 e Pop, a corrente deve ser verificada, ajustada e lubrificada a cada 1.000 km, e com mais frequência em poeira, lama, umidade ou chuva.
Qual a folga certa da corrente da moto?
Depende do modelo. O manual da CG 125 Fan pede de 10 a 20 mm e o da Pop 100, de 20 a 30 mm. Confira sempre o valor no manual da sua moto.
Pode trocar só a corrente e manter a coroa e o pinhão?
Não é o recomendado. A Honda orienta substituir corrente, coroa e pinhão em conjunto para evitar desgaste prematuro, e a Riffel diz o mesmo.
Fontes
- Honda — Manual do proprietário CG 125 Fan (corrente de transmissão)
- Honda — Manual do proprietário Pop 100 2015 (corrente de transmissão)
- Honda — Manual do proprietário CG 160 Fan e Titan 2021 (tabela de manutenção)
- Honda — Manual do proprietário NXR 160 Bros 2015 (tabela de manutenção)
- Honda Motos (blog) — Dicas básicas de mecânica para deixar sua moto Honda sempre nova
- Riffel — Manutenção do kit de transmissão (09/06/2026)
- Riffel — Por que não usar graxa branca na corrente da moto
- D.I.D — Chain Maintenance
- D.I.D — FAQ
Viu um erro? Escreva para contato@falamotorista.com.br. Correções são registradas nesta página. Veja nossa política editorial.







