Mercado

Anfavea pede cota de 75 mil a 90 mil carros chineses por ano

Anfavea levou a Alckmin cota para carros chineses, sobretaxa e nova CIDE sobre importados. Veja as 3 propostas, os números e o que muda no preço do carro.

Carro elétrico sendo carregado em ponto de recarga em Brasília
Carro elétrico sendo carregado em ponto de recarga em Brasília. Foto: José Cruz/Agência Brasil / Agência Brasil · CC BY 3.0 BR

A Anfavea, entidade que reúne as montadoras instaladas no Brasil, pediu ao governo uma cota de 75 mil a 90 mil carros chineses por ano, além de uma sobretaxa e de um novo tributo sobre veículos importados. Para quem pensa em comprar um BYD, GWM ou outro chinês, nada muda agora, mas as propostas podem encarecer esses carros em 2027 se forem aprovadas.

As propostas foram entregues ao vice-presidente Geraldo Alckmin no fim da tarde de quinta-feira, 29 de outubro, segundo a AutoData e a Automotive Business. O presidente da Anfavea, Igor Calvet, foi com 13 vice-presidentes de montadoras. A entidade esperou o fim das eleições para levar o pedido.

Quais são as 3 propostas da Anfavea?

Proposta Como funcionaria Quem seria atingido
Salvaguarda (sobretaxa temporária) Imposto extra, de emergência, sobre a importação Marcas que só importam e não fabricam no Brasil
CIDE Automotiva Nova contribuição, criada por lei, cobrada além dos 35% de imposto de importação Carros leves, pesados e máquinas importados de qualquer país; pode chegar a autopeças
Cota para a China Limite de 2,5% a 3% do mercado brasileiro, cerca de 75 mil a 90 mil veículos por ano Carros vindos da China

Pela proposta da sobretaxa, ficariam de fora os modelos importados por montadoras que já produzem aqui (para completar a linha) e os kits de montagem CKD e SKD, que são carros que chegam desmontados e são montados em fábrica no Brasil.

Uma fonte ouvida pela AutoData falou em CIDE de 10%, mas Calvet negou: segundo ele, nenhuma alíquota foi discutida ainda. A cota é a proposta mais demorada, porque precisa de negociação com o Itamaraty.

Por que as montadoras querem frear os chineses?

Os números mostram a velocidade da mudança. De janeiro a setembro de 2026, segundo dados da Anfavea citados pela Automotive Business:

  • 463,9 mil veículos importados foram emplacados, alta de 30,4%;
  • 262 mil eram elétricos e híbridos, alta de 82,7%;
  • 254,9 mil vieram da China, alta de 106,4%, mais da metade de tudo que foi importado;
  • os chineses já somam 11,3% do mercado interno.

A AutoData lembra ainda que mais de 100 mil kits CKD e SKD ficaram fora dessa conta. As montadoras tradicionais dizem que perdem espaço para carros que chegam prontos e pagam menos tributo do que um carro feito aqui. As marcas chinesas respondem que estão investindo em produção local, como a BYD, que quer o porto da antiga Ford na Bahia e promete aumentar o uso de peças nacionais.

Qual é o imposto de importação hoje?

O governo já segue um cronograma de alta para eletrificados. Em junho, o Gecex, órgão da Camex que decide tarifas, manteve o calendário, de acordo com a Agência Brasil:

  • Kit SKD (carro semidesmontado) eletrificado: 35% desde julho de 2026;
  • Kit CKD (carro totalmente desmontado) eletrificado: 14% até o fim de 2026 e 35% a partir de janeiro de 2027;
  • uma cota com imposto zero de US$ 463 milhões para kits CKD e SKD vale por seis meses desde 1º de julho.

Ou seja: a Anfavea quer ir além do que já está previsto.

O que muda para você?

Hoje, nada. As propostas estão nas áreas técnica e jurídica do governo. Alckmin foi receptivo, segundo a AutoData, mas não deu prazo. Calvet disse esperar algo mais concreto em novembro, depois da Fenatran, a feira de transporte que vai de 9 a 13 de novembro.

Na prática, vale pensar em três cenários:

  1. Se nada for aprovado, segue a concorrência atual, com descontos fortes de chineses e reação das marcas tradicionais, como os cortes de preço que vimos em outubro.
  2. Se a sobretaxa ou a CIDE passarem, os carros importados prontos tendem a subir. Quem quer um elétrico chinês importado pode ter pressa para fechar negócio, mas não há data para nada.
  3. Se a cota sair, a oferta de chineses importados ficaria limitada. Menos carro disponível costuma significar menos desconto.

Quem está comprando agora deve olhar o preço final, a garantia e a rede de assistência, e não decidir por medo de um aumento que ainda não existe. Veja um exemplo de como os chineses estão brigando por preço no lançamento do Arcfox T1 por R$ 129.900 contra o Dolphin Mini e consulte a Tabela FIPE do modelo que você quer.

Quem tem razão?

Do lado das montadoras tradicionais, o argumento é emprego e investimento: carro feito aqui paga salário, imposto e compra peça no Brasil, e o importado que só vem pronto não. Elas citam a União Europeia, que aplica até 45% sobre elétricos chineses e negociou um limite para híbridos.

Do lado de quem defende a abertura, o argumento é preço e tecnologia: a chegada dos chineses derrubou valores e forçou as marcas antigas a oferecer mais equipamento e eletrificação. Limitar a entrada pode proteger fábricas, mas tende a deixar o carro mais caro para o consumidor.

A decisão final é do governo, e o calendário aponta para as próximas semanas.

Leia também: BYD Seal tem bônus de até R$ 30 mil e encosta no preço do Civic híbrido

Galeria de fotos

Fileira de carros expostos para venda em loja de Brasília
Fileira de carros expostos para venda em loja de Brasília. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil / Agência Brasil · CC BY 3.0 BR
Carros à venda na Cidade do Automóvel, em Brasília
Carros à venda na Cidade do Automóvel, em Brasília. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil / Agência Brasil · CC BY 3.0 BR
Carros à venda em concessionária de Brasília (foto de arquivo)
Carros à venda em concessionária de Brasília (foto de arquivo). Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil / Agência Brasil · CC BY 3.0 BR

Enquete · sua opinião

O governo deve limitar a entrada de carros chineses?

Toque para votar e ver o resultado.

Leia a seguir · MercadoStellantis: modelo da BYD ameaça 90% dos empregos? EntendaContinuar lendo →

Esta matéria foi útil para você?

Perguntas frequentes

O carro chinês vai ficar mais caro?

Ainda não. As três propostas da Anfavea (sobretaxa, CIDE e cotas) estão em análise no governo, sem alíquota nem prazo. Se alguma for aprovada, o importado pode subir, mas hoje nada mudou na loja.

Qual é o imposto de importação de carro elétrico hoje?

O cronograma do Gecex leva a alíquota a 35%. Kits SKD de eletrificados já pagam 35% desde julho de 2026, e kits CKD pagam 14% até o fim de 2026 e 35% a partir de janeiro de 2027, segundo a Agência Brasil.

Fontes

  1. AutoData — Anfavea pede sobretaxa para veículos importados (29/10/2026)
  2. Automotive Business — Passada a eleição, montadoras negociam cotas de importação com o governo (30/10/2026)
  3. Agência Brasil — Governo mantém elevação de tarifas a carro elétrico e renova cota zero (23/06/2026)

Viu um erro? Escreva para contato@falamotorista.com.br. Correções são registradas nesta página. Veja nossa política editorial.

Receba o resumo diário do Fala Motorista

Continue lendo

Mais mercado →