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BYD quer dobrar fábrica de Camaçari para 600 mil carros por ano

BYD busca autorização para dobrar a fábrica de Camaçari (BA) para 600 mil carros por ano. Veja investimento, empregos, fila de pedidos e o que muda para quem compra.

BYD Dolphin em exposição, hatch elétrico da marca chinesa
BYD Dolphin em exposição, hatch elétrico da marca chinesa. Foto: Alexander-93 / Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0

Atualização (30/10, 7h21): a BYD deu um passo além da ampliação. Em entrevista coletiva na Fieb, em Salvador, nesta quinta-feira (29), o vice-presidente Alexandre Baldy disse que as áreas de estamparia, solda e pintura de Camaçari estão em fase de testes, que devem terminar em meados de novembro, e que a produção local começa entre novembro e dezembro, segundo o G1 Bahia e o Olhar Digital. O primeiro modelo a passar por todas essas etapas no Brasil será o BYD Atto 2.

O que mudou desde o anúncio de 23 de outubro?

Até agora, a fábrica baiana trabalha principalmente com kits: boa parte do carro chega pronta da China e recebe aqui a montagem final. Com estamparia (onde as chapas de aço viram peças da carroceria), solda e pintura locais, uma parte muito maior do carro passa a ser feita na Bahia. É isso que a BYD chama de produção nacionalizada.

Ponto O que a BYD informou em 29/10
Início da produção local entre novembro e dezembro de 2026
Primeiro modelo BYD Atto 2
Ritmo atual da fábrica cerca de 700 carros por dia
Investimento declarado R$ 11 bilhões
Empregos diretos 9 mil hoje; meta de 10 mil até dezembro
Porto interesse no antigo terminal da Ford em Candeias (BA), sem negócio fechado

O valor de investimento citado agora (R$ 11 bilhões) é maior que o informado na semana passada; a empresa não detalhou o que entra em cada conta. A empresa também confirmou o interesse no Terminal Portuário Privativo Miguel de Oliveira, antigo porto da Ford, para exportar carros a partir da Bahia para outros países das Américas. Por enquanto, é só intenção: nada foi assinado.

O que muda para quem quer comprar um Atto 2?

Na prática, nada no preço por ora: a BYD não anunciou mudança de tabela. O que a nacionalização costuma trazer é menos dependência de navio e câmbio, entrega mais previsível e acesso a regras do Mercosul que exigem conteúdo regional mínimo, o que abre a porta para exportar. Se você está de olho no modelo, compare antes na Tabela FIPE e veja como a marca vem vendendo no ranking de outubro.

Abaixo, a matéria original de 24 de outubro.

A BYD já busca as autorizações para dobrar a capacidade da fábrica de Camaçari (BA) e chegar a 600 mil carros por ano, segundo informações da Reuters publicadas pela Band Motor nesta sexta-feira (23). O investimento no complexo baiano já passa de R$ 5,5 bilhões, acima do previsto no início do projeto.

Para quem quer comprar um BYD, o motivo da pressa é simples: a marca diz que vende menos do que poderia porque a fábrica não dá conta da procura. Mais produção tende a encurtar a espera nas lojas.

O que a BYD anunciou?

Os números divulgados pela empresa:

Ponto O que a BYD informou
Meta de capacidade 600 mil veículos por ano
Meta para o fim de 2026 25 mil veículos por mês
Investimento mais de R$ 5,5 bilhões
Funcionários cerca de 9 mil hoje; perto de 10 mil até o fim de 2026
Pedidos cerca de 30 mil por mês
Vendas em setembro 22.209 carros, 8,5% do mercado

A empresa não informou qual órgão analisa o pedido nem o prazo para a ampliação ficar pronta.

Por que a BYD quer produzir mais?

Porque a fila existe. Segundo Alexandre Baldy, executivo da BYD citado pela reportagem, a marca deixa de faturar "cerca de 5.000 a 6.000 vendas adicionais" por mês. Ou seja: tem cliente querendo comprar, mas falta carro.

A meta de 600 mil não é nova. Na inauguração, em 9 de outubro de 2025, o presidente mundial da BYD, Wang Chuanfu, disse ao presidente Lula que a capacidade seria dobrada, segundo comunicado da própria BYD. O plano original previa 150 mil carros por ano na primeira fase e 300 mil na seguinte. O que muda agora é que a empresa começou a correr atrás das licenças.

O que é fabricado na Bahia?

Hoje, a fábrica de Camaçari monta três modelos, segundo a BYD:

  • BYD Dolphin Mini, o elétrico mais vendido do país;
  • BYD King, sedã híbrido plug-in;
  • BYD Song Pro, SUV híbrido plug-in.

Grande parte do carro ainda chega da China. A meta é superar 50% de peças nacionais no início de 2027. Esse índice, chamado de nacionalização, é o que permite exportar com vantagem para países vizinhos. A BYD fala em encomendas de 50 mil carros do México e 50 mil da Argentina.

O modelo de montar carros a partir de kits importados virou tema de debate no setor. Veja os dois lados em Stellantis critica montagem de kits da BYD.

O que muda para você?

Se você quer comprar um BYD: a curto prazo, nada. A ampliação depende de licença e obra. Até lá, a demanda maior que a oferta segura os preços. Mesmo assim, há promoções pontuais, como a do BYD Seal com bônus de R$ 30 mil, que é importado.

Se você já tem um BYD: mais produção local costuma significar mais peças e mais concessionárias, o que ajuda na manutenção e na revenda. Confira quanto o seu vale na Tabela FIPE.

Se você mora na Bahia: a meta de chegar a 10 mil empregos até o fim do ano mexe com a economia da região metropolitana de Salvador, com vagas na fábrica e em fornecedores.

Fique de olho

  • Se a licença sair, a BYD precisa construir e equipar a ampliação. Prazo ainda não divulgado.
  • A meta de 50% de peças nacionais em 2027 é o próximo marco a acompanhar.
  • O ritmo de vendas da marca em outubro aparece no ranking parcial dos carros mais vendidos do mês.

Galeria de fotos

Emblema cromado da BYD na carroceria de um carro da marca
Emblema cromado da BYD na carroceria de um carro da marca. Foto: Pedro H. Novais / Pexels · Licença Pexels (uso livre)
Visitantes observam carros expostos em um estande da BYD
Visitantes observam carros expostos em um estande da BYD. Foto: P. L. / Unsplash · Licença Unsplash (uso livre)
BYD Seal visto de frente em exposição
BYD Seal visto de frente em exposição. Foto: Alexander-93 / Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0
Leia a seguir · MercadoBYD quer porto da Ford na Bahia e vai fazer carroceria do Atto 2Continuar lendo →

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Perguntas frequentes

Quais carros a BYD fabrica em Camaçari?

Segundo a BYD, a fábrica da Bahia monta o Dolphin Mini, o King, o Song Pro e o Atto 2. O Atto 2 deve ser o primeiro a ganhar estamparia, solda e pintura locais, entre novembro e dezembro de 2026.

A BYD vai comprar o antigo porto da Ford na Bahia?

Por enquanto é só interesse. A BYD disse querer o terminal de Candeias (BA) para exportar a partir da Bahia, mas não há negócio fechado.

A ampliação vai baixar o preço dos carros da BYD?

Não há anúncio de redução de preço. O que muda é a oferta: a BYD diz que hoje deixa de vender de 5 mil a 6 mil carros por mês por falta de produção, o que costuma significar fila e menos desconto.

Quando a fábrica chega a 600 mil carros por ano?

A BYD não deu data para a duplicação. A meta divulgada para o fim de 2026 é produzir 25 mil veículos por mês.

Fontes

  1. Band Motor (com Reuters) — BYD quer dobrar produção no Brasil e chegar a 600 mil carros por ano (23/10/2026)
  2. BYD Brasil — BYD alcança marca de 10 mil carros produzidos na fábrica em Camaçari
  3. Olhar Digital — BYD avança na Bahia e quer comprar porto desativado da Ford (29/10/2026)
  4. G1 Bahia, via A Voz do Campo — BYD prevê produção de carro 100% brasileiro até dezembro e mira porto (29/10/2026)
  5. Jornal Grande Bahia — BYD avança na produção nacional em Camaçari e prevê mais 500 contratações (25/10/2026)

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