Motos barulhentas em BH: lei sancionada prevê multa de R$ 500
Belo Horizonte publicou lei que multa em R$ 500 motos com ruído acima do limite, R$ 1 mil na reincidência. Veja quando vale, o veto e o que muda para você.

Belo Horizonte passou a ter uma lei própria contra motos barulhentas: o texto foi publicado no Diário Oficial do Município nesta quarta-feira (28) e prevê multa de R$ 500 para motocicletas que emitam ruído ou poluentes acima do permitido. Para quem pilota na capital mineira, a regra vale a partir do fim de janeiro de 2027, e quem reincidir em 12 meses paga R$ 1 mil.
A lei foi sancionada pelo prefeito Álvaro Damião com um veto parcial, segundo o Estado de Minas e O Tempo. O projeto (PL 558/2025) é do vereador Sargento Jalyson (PL) e foi aprovado pela Câmara Municipal em setembro.
O que muda para você
- Quem é atingido: donos de motocicletas, motonetas, ciclomotores e veículos parecidos de duas rodas que circulam em BH.
- O que gera a multa: ruído ou emissão de poluentes acima do limite, comprovados por verificação técnica.
- Quanto custa: R$ 500 na primeira vez; R$ 1 mil se houver nova autuação em até 12 meses.
- Quando começa: 90 dias após a publicação de 28 de outubro, ou seja, no fim de janeiro de 2027.
- Soma com o CTB: a multa municipal não substitui as penalidades da legislação de trânsito, que continuam valendo.
Na prática, quem tem moto original e com o escapamento em bom estado não precisa fazer nada. Quem trocou o abafador, furou o silenciador ou tirou o miolo do escapamento tem três meses para regularizar antes de a lei começar a ser aplicada.
Escapamento esportivo dá multa?
Não automaticamente. O texto aprovado pelos vereadores tinha um inciso que considerava irregular o escapamento adulterado, modificado ou com descarga livre. Esse trecho foi vetado pela prefeitura.
Segundo O Tempo, a Procuradoria-Geral do Município argumentou que:
- o artigo 98 do Código de Trânsito admite modificações autorizadas no veículo;
- trocar o escapamento, por si só, não prova que a moto faz barulho acima do limite;
- haveria possível conflito com a competência da União para legislar sobre trânsito.
Com o veto, o critério ficou objetivo: a multa depende de medição. O veto ainda será analisado pela Câmara, que pode mantê-lo ou derrubá-lo.
Como vai ser feita a medição?
A lei manda seguir a Resolução 418/2009 do Conama e a norma ABNT NBR 9714:2000 (ou as que vierem a substituí-las). A referência é o valor de ruído declarado pelo fabricante ou o limite legal em vigor quando a moto foi fabricada. Isso protege, por exemplo, modelos antigos homologados com limites diferentes dos atuais.
A aplicação da multa exige processo formal, com direito a defesa. A lei autoriza a prefeitura a firmar convênios com órgãos federais, estaduais e cidades vizinhas para fiscalizar e fazer campanhas educativas. De acordo com a Rede 98, a fiscalização cabe ao órgão ambiental do município, com apoio dos órgãos de trânsito e de segurança pública. Ainda não foi divulgado como e onde as medições serão feitas no dia a dia.
O Código de Trânsito já não proibia isso?
Proibia, e continua proibindo. O art. 230, inciso XI, do CTB pune quem conduz veículo "com descarga livre ou silenciador de motor de explosão defeituoso, deficiente ou inoperante". É infração grave, com 5 pontos na CNH e retenção do veículo até a regularização, conforme o Âmbito Jurídico (código 661-02). A multa grave hoje é de R$ 195,23, a mesma do som alto no carro.
A diferença é que a lei de BH trata o problema como poluição sonora e ambiental, uma área em que o município pode agir, e cria uma multa própria, mais alta, que se soma à de trânsito.
Os dois lados da discussão
Quem defende a lei, como o autor do projeto, fala em combater o "rolezinho do grau" e a perturbação do sossego, principalmente de idosos, pessoas autistas e com deficiência, e até de animais, segundo a Câmara Municipal. Na primeira versão, a multa proposta era de R$ 1.500; o valor final ficou em R$ 500.
Do outro lado, o próprio veto mostra a preocupação de não punir quem tem escapamento trocado dentro da lei e de não invadir a competência federal sobre trânsito. Para motociclistas, a dúvida que fica é prática: sem regulamentação e sem estrutura de medição definida, a lei pode demorar a sair do papel.
Dica de oficina
Se a sua moto ficou mais barulhenta com o tempo, nem sempre é "escape esportivo": abafador furado por ferrugem, junta da curva do escapamento queimada ou silenciador com a lã de vidro desgastada aumentam o ruído e podem até deixar a moto falhando e engasgando. Uma revisão do sistema de escape costuma resolver antes de virar multa, seja a municipal, seja a do CTB.
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Perguntas frequentes
Quando a multa para moto barulhenta começa a valer em BH?
A lei foi publicada no Diário Oficial do Município em 28 de outubro de 2026 e entra em vigor 90 dias depois, ou seja, no fim de janeiro de 2027.
Ter escapamento esportivo já dá multa pela lei de BH?
Não por si só. O trecho que tratava escapamento modificado como irregular foi vetado. A multa municipal depende de medição técnica que comprove ruído ou poluentes acima do limite.
Fontes
- Estado de Minas — Lei contra motos barulhentas em BH é publicada nesta quarta (28/10)
- O Tempo — Com veto parcial, PBH publica lei contra motos barulhentas (28/10/2026)
- Rede 98 — Damião sanciona lei que multa donos de motos que emitem ruídos acima dos limites (28/10/2026)
- Câmara Municipal de Belo Horizonte — PL 558/2025 passa em primeira votação (14/04/2026)
- Âmbito Jurídico — Infração 661-02 (art. 230, XI, do CTB): descarga livre ou silenciador defeituoso
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