Trânsito

Multa por drone na BR-101: PRF flagra centenas e diz o que é legal

PRF usa drones na BR-101 em Itajaí (SC) e flagra centenas de motoristas sem cinto, no celular e no acostamento. Veja as multas, a regra do Contran e como recorrer.

Trecho da BR-116, rodovia federal fiscalizada pela PRF
Trecho da BR-116, rodovia federal fiscalizada pela PRF. Foto: Deyvid Setti e Eloy Olindo Setti / Wikimedia Commons · CC BY-SA 3.0

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) voltou a usar drones para fiscalizar a BR-101 em Itajaí (SC) e, segundo o jornal Diarinho, flagrou centenas de motoristas sem cinto, mexendo no celular e furando o congestionamento pelo acostamento. Para quem dirige, a mudança é simples de entender: a PRF não precisa mais parar o carro para multar, e a notificação chega dias depois em casa.

A divulgação, nesta semana, reacendeu a discussão nas redes: é segurança ou "indústria da multa"? Abaixo, explicamos o que a lei permite, quanto custa cada infração e como se defender se a multa chegar.

Como a PRF usa os drones?

O drone funciona como um "binóculo moderno", na definição da própria PRF ouvida pela CNN Brasil quando a ferramenta começou a ser usada, em 2024. Os detalhes informados pela corporação:

  • os aparelhos têm zoom de até sete vezes e voam entre 10 e 20 metros de altura;
  • cada operação tem plano de voo registrado no sistema da Aeronáutica, e os drones são registrados na Anac;
  • os policiais que pilotam têm certificação;
  • o motorista não é abordado na hora: o agente registra a infração para autuação posterior.

A PRF justifica o método pelo volume de veículos, pela falta de acostamento em vários trechos e pela segurança dos próprios agentes, que não precisam fazer barreira em pista movimentada. Na estreia, a ferramenta foi usada na BR-262, em Minas Gerais, e nas BR-282 e BR-101, em Santa Catarina. Em Itajaí, o foco agora foi a hora do engarrafamento.

É legal multar por drone?

É. A base é a Resolução 909/2022 do Contran, publicada em abril de 2022, que permite autuar motoristas por infrações de circulação e conduta flagradas por videomonitoramento em fiscalização remota. Ela se apoia no artigo 280 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que aceita a comprovação da infração por equipamento audiovisual regulamentado pelo Contran.

Mas a resolução impõe três condições, segundo o texto resumido pelo Migalhas:

  1. Quem multa é gente, não a máquina. A autuação tem de ser feita por autoridade ou agente de trânsito que está vendo a imagem.
  2. O auto precisa dizer como a infração foi vista. O agente registra no campo "observação" que a constatação foi por videomonitoramento.
  3. A via precisa estar sinalizada. A fiscalização remota só vale em trechos "devidamente sinalizados para esse fim".

Quanto custa cada infração flagrada?

As infrações citadas pela PRF estão no CTB e têm valor fixo:

Infração Gravidade Multa Pontos
Segurar ou manusear o celular ao volante Gravíssima R$ 293,47 7
Dirigir sem cinto de segurança (ou passageiro sem cinto) Grave R$ 195,23 5
Transitar pelo acostamento Gravíssima (x3) R$ 880,41 7
Ultrapassar pelo acostamento Gravíssima (x5) R$ 1.467,35 7
Caminhão fora da faixa destinada (andando na esquerda) Média R$ 130,16 4

Na prática, quem "pega o acostamento" para fugir de um engarrafamento de 10 minutos pode pagar quase R$ 900 e perder 7 pontos de uma vez. Lembrando: com 40 pontos em 12 meses (sem infração gravíssima) ou 20 pontos (com duas ou mais gravíssimas, nos limites atuais do CTB), a CNH é suspensa. Já explicamos as regras do celular ao volante e do suporte em detalhe.

Os dois lados da discussão

Quem defende o drone lembra que celular e falta de cinto estão entre as condutas que mais agravam acidentes, e que a fiscalização do alto pega o infrator sem criar mais fila nem colocar o policial no meio da pista. Também é difícil esconder o comportamento só "quando vê a viatura".

Quem critica diz que a fiscalização sem abordagem tira do motorista a chance de se explicar na hora, e cobra transparência: onde os drones voam, como a sinalização é feita e quantas multas saem de cada operação, números que a PRF não detalhou na divulgação de Itajaí. Para esse grupo, sem aviso claro, a fiscalização vira arrecadação.

O que muda para você?

Na estrada:

  • conte com a possibilidade de estar sendo filmado em qualquer trecho com sinalização de fiscalização eletrônica ou videomonitoramento;
  • celular só no suporte, com o carro em movimento; para digitar, pare em local permitido;
  • todos de cinto, inclusive atrás. A multa vai para o dono do carro, e a responsabilidade é do motorista;
  • engarrafamento não libera acostamento, a não ser quando o agente orienta ou em emergência.

Se a multa chegar, confira na notificação:

  1. Data de envio. A notificação de autuação precisa ser expedida em até 30 dias da infração; fora disso, o auto é arquivado.
  2. Campo de observação. Ele deve dizer que a infração foi constatada por videomonitoramento ou drone.
  3. Sinalização do trecho. Se não havia placa avisando da fiscalização naquele ponto, esse é o principal argumento da defesa prévia.
  4. Prazo de defesa. Ele vem impresso na notificação. Dá para apresentar defesa e, depois, recurso à Jari, sem custo.

Se a multa é sua e procede, vale indicar o condutor real (se não era você ao volante) dentro do prazo, para os pontos irem para a CNH certa. E, se você trabalha com aplicativo, acompanhe o projeto que reduz em 60% as multas de motoristas de app, ainda em tramitação.

Galeria de fotos

Motorista segurando o celular enquanto dirige, conduta que é infração gravíssima
Motorista segurando o celular enquanto dirige, conduta que é infração gravíssima. Foto: Roman Pohorecki / Pexels · Pexels License
Carros em rodovia paulista em dia de movimento intenso (foto de arquivo)
Carros em rodovia paulista em dia de movimento intenso (foto de arquivo). Foto: Arquivo/Agência Brasil / Agência Brasil · CC BY 3.0 BR
Radar de velocidade em rodovia
Radar de velocidade em rodovia. Foto: Benlisquare / Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0
Bandeira da Polícia Rodoviária Federal
Bandeira da Polícia Rodoviária Federal. Foto: Mateus Leite / Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0

Enquete · sua opinião

Você concorda com a PRF usar drones para multar nas rodovias?

Toque para votar e ver o resultado.

Leia a seguir · TrânsitoCadeirinha no carro: regras por idade e multa de R$ 293,47 com 7 pontosContinuar lendo →

Esta matéria foi útil para você?

Perguntas frequentes

A PRF pode multar com drone?

Sim. A Resolução 909/2022 do Contran permite autuar por videomonitoramento remoto, desde que a autuação seja feita por agente ou autoridade de trânsito e que a via esteja sinalizada para esse tipo de fiscalização.

Como saber se fui multado por drone?

A multa chega pela notificação de autuação, como qualquer outra. O agente deve registrar no campo de observação do auto como a infração foi constatada, então a forma de fiscalização aparece no documento.

Dá para recorrer de multa de drone?

Dá. Os pontos mais comuns de defesa são a falta de sinalização da fiscalização no trecho, a ausência da descrição de como a infração foi vista e a notificação enviada fora do prazo de 30 dias.

Fontes

  1. Diarinho — Tu acha certo a PRF usar drones pra flagrar motoristas infratores? (21/10/2026)
  2. CNN Brasil — PRF passa a usar drones para multar motoristas em rodovias federais
  3. Migalhas — Contran regulamenta aplicação de multa por câmeras (Resolução 909/2022)
  4. AutoPapo — Drones da PRF já multam motoristas em estradas brasileiras

Viu um erro? Escreva para contato@falamotorista.com.br. Correções são registradas nesta página. Veja nossa política editorial.

Receba o resumo diário do Fala Motorista

Continue lendo

Mais trânsito →