Sinal de celular na estrada: roaming obrigatório a partir de 2027
Governo lança política que obriga operadoras a dividir sinal nas estradas e promete 57,1 mil km de rodovias federais com 4G até 2030. Veja o que muda.

O governo federal lançou na quinta-feira (15) a Política Nacional de Conectividade em Rodovias, que obriga as operadoras de celular a compartilhar sinal nas estradas, o chamado roaming. Para quem dirige, a mudança é simples de entender: a partir de 2027, no trecho em que a sua operadora não pega, o celular poderá se conectar na rede de uma concorrente.
O anúncio foi feito em São Paulo pelos ministros Frederico de Siqueira Filho (Comunicações) e George Santoro (Transportes), segundo TeleSíntese e Teletime.
O que é esse roaming nas rodovias?
Roaming (ou itinerância, no termo oficial) é quando o seu chip usa a antena de outra empresa. Hoje isso já acontece quando você viaja para fora do país. A ideia agora é aplicar o mesmo dentro do Brasil, nas estradas.
Exemplo do dia a dia: você é cliente da operadora A e entra num trecho da BR em que só a operadora B tem antena. Hoje, o celular fica sem sinal. Com a regra, ele passa a usar a antena da B, com conexão 4G ou 5G, e volta para a sua rede quando ela aparecer.
A minuta da política, que passou por consulta pública no Participa + Brasil, diz que a Anatel vai regulamentar o serviço em itinerância nas rodovias. É a agência que vai definir as regras técnicas e quanto uma empresa paga para a outra.
Quantos quilômetros vão ganhar sinal?
Os números divulgados pelo governo mostram o tamanho do salto:
| Item | Número |
|---|---|
| Rodovias federais com sinal hoje | 27,2 mil km |
| Meta para 2030 | 57,1 mil km (cerca de 77% da malha federal) |
| Novos km federais em 2027 | cerca de 16 mil km |
| Rodovias estaduais com roaming em 2027 | cerca de 42 mil km |
| Total federal + estadual | 72,3 mil km |
Toda a BR-101, que corta o litoral do país de norte a sul, deve estar coberta em 2027. As rodovias prioritárias são as BRs 101, 116, 135, 163, 242 e 364.
De onde vem esse sinal novo?
O roaming responde pela maior parte: cerca de 13,1 mil km de rodovias federais. O restante vem de compromissos do leilão da faixa de 700 MHz (cerca de 6,4 mil km), da adaptação da concessão da Claro (cerca de 4,3 mil km), de obrigações já impostas pela Anatel (988 km) e de contratos de concessão de rodovias (cerca de 1,2 mil km), segundo a Convergência Digital.
Nos trechos onde nenhuma empresa tem antena, o roaming não resolve. Ali o plano prevê novas torres 4G ou 5G, com apoio do Fust (Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações). O ministro das Comunicações não informou quantas antenas serão necessárias.
O que muda para você
- Socorro mais rápido: pane, pneu furado ou acidente em trecho isolado deixam de significar "andar até achar sinal" para chamar guincho, seguro ou a polícia.
- GPS e aplicativo de rota funcionando: menos risco de o mapa travar no meio da serra ou do sertão.
- Caminhoneiro e motorista de aplicativo: quem trabalha na estrada depende de internet para frete, pagamento e rastreamento.
- Viagem de feriado: dá para avisar a família e acompanhar o trânsito em tempo real.
Enquanto a regra não vale, a dica de sempre continua: baixe o mapa da rota para usar offline antes de sair e anote o telefone da concessionária da rodovia e do seguro. Se o celular for usado como GPS, ele precisa estar preso no suporte; veja o que diz a lei sobre celular ao volante.
Vou pagar mais caro? E o pedágio?
Não foi anunciada cobrança extra para o usuário. O ministro Siqueira Filho disse que o governo não vai compensar as operadoras: elas vão cobrar umas das outras pelo uso da rede, numa "troca", nas palavras dele.
Sobre pedágio, o ministro Santoro afirmou que "não tem impacto nos pedágios porque já está dentro dos projetos". Segundo ele, oito contratos de concessão já preveem a cobertura de celular, somando mais de 4 mil km. Por falar em pedágio, quem passa por pórticos sem cancela precisa ficar atento ao prazo para pagar o free flow sem multa.
O que ainda falta definir
- As regras da Anatel para o roaming (prazo de adesão, qualidade mínima e remuneração).
- O número de torres novas e o cronograma por rodovia.
- As linhas de financiamento do Fust para as estradas, que o governo disse que devem ser anunciadas para 2027.
Quem viaja muito no feriado sabe o peso disso: o balanço da PRF no feriado de 12 de outubro mostra o volume de gente na estrada. O Fala Motorista vai acompanhar a regulamentação da Anatel e atualizar esta matéria quando as regras saírem.
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Perguntas frequentes
A partir de quando o celular vai usar a rede de outra operadora na estrada?
O governo prevê o roaming nas rodovias a partir de 2027. Antes disso, a Anatel ainda precisa publicar as regras técnicas e de remuneração entre as operadoras.
Vou pagar mais caro para usar o sinal de outra operadora na rodovia?
Nada foi anunciado de cobrança extra para o usuário. O acerto é entre as empresas, que vão cobrar umas das outras pelo uso da rede, segundo o Ministério das Comunicações.
O pedágio vai subir por causa do sinal nas estradas?
Segundo o ministro dos Transportes, George Santoro, não há impacto no pedágio, porque a cobertura nas concessões já está prevista nos contratos.
Fontes
- TeleSíntese — Governo usa roaming para dobrar cobertura nas rodovias
- Teletime — Governo planeja dobrar conectividade em rodovias até 2030
- Convergência Digital — Governo impõe roaming obrigatório entre as operadoras móveis
- Participa + Brasil (gov.br) — Minuta da Política Nacional de Conectividade em Rodovias
- AutoPapo — Sem sinal na estrada? A partir de 2027, seu celular poderá usar a rede de outra operadora
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